Dessa vez, sem textos - deixo as músicas, quando possível em suas versões ao vivo (sempre a preferência do TTF como entidade e minha como blogueira), falarem por si. O ano mais inspirador e lotado de músicas excelentes desde que eu comecei, em 2008, a falar de música.
25. Courtney Barnett - Avant Gardener
24. Alkaline Trio - The Temptation of St.Anthony
23. Miley Cyrus - Wrecking Ball
22. Kanye West - Black Skinhead
21. Lissie - They All Want You
20. Frank Turner - Losing Days
19. The Civil Wars - The One That Got Away
18. Jay-z e Justin Timberlake - Holy Grail
17. One Direction - Little Black Dress
16. Bill Callahan - Winter road
15. Volcano Choir - Dancepack
14. Queens of the stone age - Smooth Sailing
13. Zac Brown Band - Day for the dead
12. Paul McCartney - Early Days
11. Okkervil River - Pink Slips
10. Lorde - Buzzcut Season
9. HAIM - The Wire
8. Woodkid - I love you
7. James Blake - Retrograde
6. Kacey Musgraves - Merry go round
5. Arctic Monkeys - Fireside
4. Emicida - Crisântemo
3. Arcade Fire - Joan of Arc
2. The National - Pink Rabbits
1. Vampire Weekend - Step
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
30 One-Hit Wonders internacionais dos anos 2000
Já entramos na era da nostalgia '00s. Festas prometendo o melhor da música da última década já começaram a pipocar por aí, e não demora muito para o Buzzfeed começar com os posts "Coisas que só quem viveu essa década vai entender", etc. Mas com o bonde da nostalgia já partindo, comecei a reparar em uma curiosa lacuna. Enquanto nomeamos os anos 90 como a era de prata dos one-hit wonders, artistas de um sucesso só, e a década perdida, os anos 80, como sua era de ouro, deixamos para trás os sucessos meteóricos dos anos 00. O Bug do Milênio apagou a capacidade do pop de mostrar sua excelência na efemeridade?
Não. Convidei meus amigos a juntarem suas mentes para pensarmos, juntos, em uma lista de one-hit wonders dos 00. O resultado foi uma conversa gigantesca no Facebook - que talvez durou mais tempo que o sucesso de algumas dessas canções.
Compilar se fez necessário. De um lado, o amigo Bruno Capelas e seu Pergunte ao Pop, com as 30 maiores maravilhas-de-um-sucesso-só brasileiras. Do outro, eu, o renascimento breve do TTF e os 30 One-Hit Wonders que marcaram a década. Quer ir da festa de 15 anos da coleguinha de classe até à trilha de malhação em alguns acordes? Embarca no Delorean que a viagem vai ser curta.
domingo, 13 de janeiro de 2013
TTF Awards 2012: os melhores filmes do ano
28º - Os Infratores
Com o auxílio de um vilão absurdamente insuportável, John Hillcoat me fez torcer por uma família do crime organizado como nunca antes eu havia torcido. Os Bondurants foram extremamente bem construídos na tela, e a ironia no fim do filme é sublime.
Esse entrou pra categoria "filmes do coração" de uma vez só. Não é revivalismo de John Hughes - é uma atualização de John Hughes, para uma nova geração que vive novos e bem mais intensos conflitos. Stephen Chbosky estreou no cinema com uma verdadeira pérola. Um filme infinito.
26º - Paranorman
A melhor animação do ano traz um enredo espetacular. O humor é adulto, inteligente, com criticas ácidas à sociedade, sem esquecer do lado lúdico e educativo. Além de tudo isso, é um triunfo da animação stop-motion em seu modo mais bem executado e paciente.
25º- Na Estrada
Li Pé Na Estrada neste ano e o livro mudou minha vida. Temia que o filme fosse apenas uma sombra do jazz verbal e febril de Kerouac, mas Walter Salles conseguiu sim navegar no espírito de uma época e dar vida, com um elenco impecável, a alguns dos melhores personagens da história da literatura.
24º- Até a Eternidade
Um filme nota 30% no Rotten Tomatoes, criticado por todos. E também dos meus queridinhos do ano. Com um elenco que junta uma geração de ouro do cinema francês e uma trama claramente reverente a The Big Chill, Até a Eternidade é um blockbuster com alma como só os franceses sabem fazer.
23º- 007 Skyfall
Até Skyfall, eu era a principal crítica da escolha do nada carismático Daniel Craig como James Bond. Mas aí colocaram Sam Mendes na direção. Roger Deakins na cinematografia. E me convenceram de que Skyfall é o filme que James Bond merecia, mas nunca havia conquistado. Um espetáculo em narrativa, imagem e som.
Até Skyfall, eu era a principal crítica da escolha do nada carismático Daniel Craig como James Bond. Mas aí colocaram Sam Mendes na direção. Roger Deakins na cinematografia. E me convenceram de que Skyfall é o filme que James Bond merecia, mas nunca havia conquistado. Um espetáculo em narrativa, imagem e som.
22º- O Espião que sabia demais
A frieza de Tinker Tailor Soldier Spy me incomoda um pouco, mas eu reconheço - é um filme espetacular. Gary Oldman está inesquecível como George Smiley, os coadjuvantes estão perfeitamente escolhidos e Tomas Alfredson merece palmas.
A frieza de Tinker Tailor Soldier Spy me incomoda um pouco, mas eu reconheço - é um filme espetacular. Gary Oldman está inesquecível como George Smiley, os coadjuvantes estão perfeitamente escolhidos e Tomas Alfredson merece palmas.
21º- Os Descendentes
Uma das minhas maiores lembranças em uma sala de cinema em 2012 é a de George Clooney correndo de chinelos. Clooney, o dono da pose de Danny Ocean, ali, correndo de chinelos, com um dos piores guarda-roupas de tiozão havaiano que eu já vi.
Uma das minhas maiores lembranças em uma sala de cinema em 2012 é a de George Clooney correndo de chinelos. Clooney, o dono da pose de Danny Ocean, ali, correndo de chinelos, com um dos piores guarda-roupas de tiozão havaiano que eu já vi.
20º- Millennium - Os Homens que não amavam as mulheres
Não é uma adaptação perfeita do livro de Stieg Larsson, e não constrói bem a complexa relação entre Lisbeth e Mikael, mas perdoamos, afinal, é o melhor suspense do ano, dirigido entre sombras por David Fincher e carregando a melhor atriz do ano, a revelação Rooney Mara.
Não é uma adaptação perfeita do livro de Stieg Larsson, e não constrói bem a complexa relação entre Lisbeth e Mikael, mas perdoamos, afinal, é o melhor suspense do ano, dirigido entre sombras por David Fincher e carregando a melhor atriz do ano, a revelação Rooney Mara.
19º- Habemus Papam
Antes de Habemus Papam, não conhecia o trabalho do bonachão Nanni Moretti. E sou eternamente grata pelo filme me apresentar o diretor de O Quarto do Filho. Cardeais jogando vôlei de praia em pleno Vaticano, um Papa com crise de identidade e um psiquiatra ateu lidando com um escândalo religioso... o cenário para uma das comédias mais inteligentes do ano.
18º- Deus da Carnificina
Tudo o que Roman Polanski precisou foi um apartamento, quatro atores, duas classes sociais e quatro personalidades diferentes. Ali ele formulou sua ciranda de comédia absurdista, comentário social sobre agressividade e violência e moral.
Tudo o que Roman Polanski precisou foi um apartamento, quatro atores, duas classes sociais e quatro personalidades diferentes. Ali ele formulou sua ciranda de comédia absurdista, comentário social sobre agressividade e violência e moral.
17º- A Separação
Ashgar Farhadi nos mostra um Irã que não conhecíamos em A Separação. Um drama familiar e de costumes extremamente especial, com atuações de destaque.
16º- Argo
Argo é um filme de equilíbrio. O equilíbrio entre o filme de fuga e aventura, o drama político e a comédia satírica em relação ao cinema o coloca em uma posição única no cinema em 2012. Juntamente com O Impossível, a prova definitiva de que a realidade por vezes é mais incrível que a ficção.
15º- Moneyball
Moneyball é definitivamente mais fascinante para aqueles que sabem bem o que é acompanhar fielmente um time nos diamantes verdes entre Abril e Outubro. Mas os leigos da MLB ainda podem apreciar o roteiro brilhante de Aaron Sorkin e a performance de Brad Pitt e Jonah Hill.
Moneyball é definitivamente mais fascinante para aqueles que sabem bem o que é acompanhar fielmente um time nos diamantes verdes entre Abril e Outubro. Mas os leigos da MLB ainda podem apreciar o roteiro brilhante de Aaron Sorkin e a performance de Brad Pitt e Jonah Hill.
14º- Precisamos falar sobre Kevin
Um drama filmado como horror, com tons de vermelho transbordando na tela e uma atuação central inesquecível.
Um drama filmado como horror, com tons de vermelho transbordando na tela e uma atuação central inesquecível.
13º- Jovens Adultos
O filme mais injustamente ignorado do ano está nas mãos de Jason Reitman e da roteirista das melhores frases de efeito do planeta, Diablo Cody. Um verdadeiro tratado sobre os efeitos dos papéis da adolescência na auto-definição de uma personalidade adulta.
O filme mais injustamente ignorado do ano está nas mãos de Jason Reitman e da roteirista das melhores frases de efeito do planeta, Diablo Cody. Um verdadeiro tratado sobre os efeitos dos papéis da adolescência na auto-definição de uma personalidade adulta.
12º- Drive
A verdade é dura, amigos: Drive é overrated. A idolatria de algumas pessoas em relação a esse filme, um bem sucedido revival de noir com um personagem principal carismático porém clichê, é exagerada. Mas nos aspectos técnicos, especialmente na direção, poucos filmes do ano chegaram a seu nível de excelência.
A verdade é dura, amigos: Drive é overrated. A idolatria de algumas pessoas em relação a esse filme, um bem sucedido revival de noir com um personagem principal carismático porém clichê, é exagerada. Mas nos aspectos técnicos, especialmente na direção, poucos filmes do ano chegaram a seu nível de excelência.
11º- As Bem-Amadas
Christophe Honoré é o mais sensível cronista dos relacionamentos modernos. Em As Bem-Amadas ele misturou a fórmula musical de seu Canções de Amor (embalada por faixas originais de Alex Beaupain, como sempre) e uma estrutura de épico, com duas gerações de mulheres e suas relações amorosas curiosas. Atuações como a de Paul Schneider e Catharine Deneuve fazem desse filme um essencial na filmografia do diretor mais twee de uma França que ainda inclui Jeunet.
Christophe Honoré é o mais sensível cronista dos relacionamentos modernos. Em As Bem-Amadas ele misturou a fórmula musical de seu Canções de Amor (embalada por faixas originais de Alex Beaupain, como sempre) e uma estrutura de épico, com duas gerações de mulheres e suas relações amorosas curiosas. Atuações como a de Paul Schneider e Catharine Deneuve fazem desse filme um essencial na filmografia do diretor mais twee de uma França que ainda inclui Jeunet.
10º - O Impossível
O Impossível é uma experiência física. Em seu final, sua cabeça doerá de tanto choro, seu corpo parece sentir os golpes recebidos por Naomi Watts e suas emoções estarão um desastre a toda vez em que você pensar que aquilo realmente aconteceu, não só com uma família,mas com inúmeras, na ocasião da Tsunami do Boxing Day.
O Impossível é uma experiência física. Em seu final, sua cabeça doerá de tanto choro, seu corpo parece sentir os golpes recebidos por Naomi Watts e suas emoções estarão um desastre a toda vez em que você pensar que aquilo realmente aconteceu, não só com uma família,mas com inúmeras, na ocasião da Tsunami do Boxing Day.
9º- O Artista
Taí outro overrated, um filme que perde sim sua força a cada nova visão, mas que encantava em uma primeira vista como poucos. O Artista encarou a difícil missão de entreter uma plateia que sofre de DDA crônico sem a voz e assim se tornou um comentário vivo sobre seu próprio tema, um filme sobre a sobrevivência do velho em um mundo que pede pelo novo.
Taí outro overrated, um filme que perde sim sua força a cada nova visão, mas que encantava em uma primeira vista como poucos. O Artista encarou a difícil missão de entreter uma plateia que sofre de DDA crônico sem a voz e assim se tornou um comentário vivo sobre seu próprio tema, um filme sobre a sobrevivência do velho em um mundo que pede pelo novo.
8º- Looper
Não discuta furos de roteiro. Pare de procurar e absorva as emoções de Looper, pois sinceramente, nenhum filme sobre viagem no tempo consegue preencher todos os buracos. A emoção está bem mais em foco que o lado cerebral e físico aqui, e o que temos é um noir sci-fi com momentos de questionamento moral daqueles que te perseguem além da sala de cinema.
Não discuta furos de roteiro. Pare de procurar e absorva as emoções de Looper, pois sinceramente, nenhum filme sobre viagem no tempo consegue preencher todos os buracos. A emoção está bem mais em foco que o lado cerebral e físico aqui, e o que temos é um noir sci-fi com momentos de questionamento moral daqueles que te perseguem além da sala de cinema.
7º- Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
O filme que todos elogiaram quando viram pela primeira vez mas, por peer pressure da internet e por vontade de se intelectualizar perante a opinião pública, todos decidiram odiar - e amar odiá-lo. Reconheço as falhas, mas acredito que a ressonância Dickensiana do encerramento da trilogia de Nolan é o melhor e mais humano entre os três filmes do Cavaleiro das Trevas. The Fire Rises.
O filme que todos elogiaram quando viram pela primeira vez mas, por peer pressure da internet e por vontade de se intelectualizar perante a opinião pública, todos decidiram odiar - e amar odiá-lo. Reconheço as falhas, mas acredito que a ressonância Dickensiana do encerramento da trilogia de Nolan é o melhor e mais humano entre os três filmes do Cavaleiro das Trevas. The Fire Rises.
6º- A Invenção de Hugo Cabret
Se você é cinéfilo e não se sentiu encantado por Hugo Cabret, lhe falta reverência ao passado. Lhe falta amor pelo cinema como fábrica de sonhos. Nos dias mais emotivos e de coração mole, eu quase chamo Hugo de meu filme favorito do Scorsese.
Se você é cinéfilo e não se sentiu encantado por Hugo Cabret, lhe falta reverência ao passado. Lhe falta amor pelo cinema como fábrica de sonhos. Nos dias mais emotivos e de coração mole, eu quase chamo Hugo de meu filme favorito do Scorsese.
5º- As aventuras de Pi
Nada tira da minha cabeça que as pessoas deviam, ao menos tentar, afastar suas concepções religiosas antes de entrar em uma sessão de Pi. Pois o filme questina muito mais, além da existência de Deus. Pi é um trabalho sobre a ficção, sobre a ilusão do cinema e sobre o espetáculo visual do 3D, feito com primor por Ang Lee.
4º- Shame
Um retrato do vício. Qualquer vício. As consequências, o estado de dormência constante, a vergonha, os impedimentos nos relacionamentos familiares, a incerteza de um passado que poderia ter levado a esse vício. Tudo isso com a melhor performance de um ator no ano.
3º- Poder sem limites
Em 2012, tivemos Vingadores, tivemos Cavaleiro das Trevas Ressurge, mas o melhor filme de super-herói é de uma história original, feita por iniciantes com o método de found footage e um elenco que poderia encabeçar qualquer lista de apostas em Hollywood.
2º- Moonrise Kingdom
Sobre esse eu resumo em uma frase só: Wes Anderson, dirige minha vida?
1º- Holy Motors
Eu cheguei a afirmar, quando li as primeiras críticas de Holy Motors pós-Cannes, o seguinte: ah, nunca assistirei isso. Deve ser pretensioso. E gratuitamente estranho. Mas eu já afirmei isso sobre alguns dos meus diretores favoritos de hoje, sobre alguns dos meus filmes favoritos de hoje. E a lição que fica é: cinema é feito do risco, do salto no escuro que você dá e descobre que os limites da arte são bem mais elásticos do que você pensa.
Eu cheguei a afirmar, quando li as primeiras críticas de Holy Motors pós-Cannes, o seguinte: ah, nunca assistirei isso. Deve ser pretensioso. E gratuitamente estranho. Mas eu já afirmei isso sobre alguns dos meus diretores favoritos de hoje, sobre alguns dos meus filmes favoritos de hoje. E a lição que fica é: cinema é feito do risco, do salto no escuro que você dá e descobre que os limites da arte são bem mais elásticos do que você pensa.
sábado, 12 de janeiro de 2013
TTF Awards 2012: melhores músicas do ano
Depois do longo processo de transformar as listas do Rock 'n' Beats e do Ovo de Fantasma em realidade, ainda devo pegar fôlego e partir para uma última lista... a minha. Vou elencar aqui no TTF os meus favoritos do ano de maneira bem simples e breve, mas de coração. E com aquele velho formato: colocando apenas vídeos ao vivo dessas músicas espetaculares.
24. We are young - fun.
Uma canção pop perfeita. Você só pode entender a capacidade de We are young de lavar a alma quando você escutá-la bem alto, cercado por amigos, e cantando o refrão como se fosse um mantra.
23. All too well - Taylor Swift
Ah, o preconceito com jovem Taylor. Adele faz o mesmo que ela, as letras confessionais sobre relacionamentos, e ganha palmas e um Grammy. Taylor ganha xingamentos na internet. Red é um bom álbum, por vezes longo demais, mas All too well é uma pérola. A mais sincera canção sobre término do ano, com uma letra springsteeniana. Não tem versão ao vivo, mas vá lá e escute!
22. The Wind - Zac Brown Band
Terminamos o corner country da minha lista aqui, com uma música boa pra pisotear o chão de madeira do celeiro. Um dia o mundo indie descobrirá a jam band de Zac Brown no meio de todos Mumfords e Avetts, e se surpreenderá.
21. Draw a Crowd - Ben Folds Five
Ele só queria ser Stevie Wonder. Mas eu não me lembro de Stevie Wonder gravando uma música tão impecavelmente hilária como Draw a Crowd. O melhor retorno de uma banda perdida há tempos em 2012, Ben Folds Five e uma música que pode te fazer rir até no pior dos dias.
20. Comeback Kid - Sleigh Bells
A música motivacional-auto-ajuda-quem-mexeu-no-meu-queijo de 2012 chega com uma guitarra que te acerta entre os olhos, no meio da testa, e a voz doce de Alexis Krauss.
19. Pyotr - Bad Books
"É sobre o czar Pedro o Grande que, quando descobriu que sua mulher estava o traindo, cortou a cabeça do amante e fez a mulher conviver com a cabeça. Escrevi a música sob o ponto de vista de Pyotr e da cabeça." Andy Hull sobre a canção. Acho que não preciso adiantar mais nada.
18. Elephant - Tame Impala
Tame Impala, uma banda cujos discos nunca me conquistam. Mas sempre há um single ali, perdido no conteúdo derivativo que une John Lennon, Syd Barrett e Black Sabbath, um single perfeito. Elephant é a nova Solitude is Bliss.
17. Teenage Icon - The Vaccines
Na hora de listar ícones adolescentes, Justin Young não fala de Justin Bieber ou One Direction. Fala de Frankie Avalon. Justin Young é sim um ícone adolescente, de uma adolescência que ainda escolhia o rock. E ainda escolhe.
16. Imergir - SILVA
A paz em forma de música. Imergir une eletrônico e analógico e SILVA tranquilizaria até o Hulk com sua voz sussurrada e comprimida digitalmente. Feche os olhos e vá.
15. Arise, Awake - Paul Banks
Se você vai mudar o tom do seu despertador em 2013, minha sugestão é essa música. O passo gélido de Paul Banks nunca esteve tão apurado, e Arise, Awake é um clássico instantâneo no nível de Evil, PDA e No I in Threesome.
14. Gangnam Style - Psy
Não sou uma boa dançarina. Sou nesse departamento de movimentos ritmo e coreografia, um desastre absoluto. Mas em 2012 uma música me fez tentar. Bastante. A euforia causada por Gangnam Style é sem precedentes. Maior canção pop do ano.
13. Off to the races - Lana del rey
Eu gostaria de filmar essa música, mesmo odiando Lana e seu universo de tédio e decadência. A história é contada de uma maneira extremamente envolvente e bem feita, e o ritmo que beira o rap faz as palavras se destacarem na voz tranquila da moça.
12. Bright Lanterns- The Tallest man on earth
Nunca alguém fez a palavra "Damn" ser tão poética. Mais uma sem versão ao vivo nas internetes. Uma pena, pois Kristian Matsson é brilhante ao vivo, com um violão na mão e uma voz impecável. Então escute aqui e parta na jornada.
11. It's only Life - The Shins
Nenhuma outra canção dessa lista teve um papel realmente pessoal, íntimo, na minha vida. Só It's only life, que eu ouvi em todos os piores momentos do ano e repeti com James Mercer suas palavras. Letra simples, melodia simples, mas alma complexa.
10. The house that heaven built - Japandroids
Em 2012, essa dupla trouxe a diversão de volta para o rock 'n' roll. A juventude, os bares ruins com turmas boas, e a postura despreocupada perto dos problemas do caminho. O terceiro maior hino de 2012.
9. Misery - The Gaslight Anthem
Esse B-side do single de Here comes your man não tem no Youtube nem mesmo em versão de estúdio. Também não tem no Grooveshark. Mas vale a audição em um ano que mesmo com um disco brilhante, Brian Fallon conseguiu deixar sua maior pérola de fora.
8. The Sad Facts - Cambriana
Essa mistura de Phoenix, Wilco e Grizzly Bear não parece nacional - mas é. A letra está entre as melhores que eu já vi, entre faixas em inglês, produzidas no Brasil. O instrumental consegue ser triste e dançante em igual medida, levando o ouvinte em um carrossel de emoções bem parecido com a vida.
7. In a big city - Titus Andronicus
Você não viveu 2012 se você não berrou essa canção uma única vez. Mas você pode tentar agora. Ainda não consigo lidar com o fato de que nenhuma lista de fim de ano mencionou essa pérola punk do Titus Andronicus, que entre referências a Shakespeare e palavrões, construiu sua melhor faixa até agora.
6. Heaven - The Walkmen
Tem tanta história, tanto coração e tanta lembrança encrustada na letra de Heaven e no jeito que Hamilton Leithauser a canta que eu acho difícil não me emocionar ao ouví-la. Quem já teve uma banda, uma família, ou um grupo fiel de amigos, uma missão e um objetivo, qualquer pessoa pode entender tudo aquilo que povoa essa canção.
5. Sing me a reprise - Hip Hatchet
O mundo da música sabe ser extremamente injusto. Quando você está inserida nele, mesmo que como uma simples blogueira, você tenta corrigir algumas dessas injustiças. Espera que alguém te escutará no meio de tanta informação, escutará seu conselho de "escute isso". Às vezes não adianta, e é frustrante. Mas vale mais uma tentativa, não é? A música mais sincera de 2012 está aqui, para aqueles que escutarem meu conselho.
4. Foals - Inhaler
Fazendo a dança "zumbi Thriller" parecer legal novamente, temos o Foals. Uma banda que não para de crescer nunca, e mostra agora mais uma face, uma face mais "funky". Um musicão que aponta para caminhos geniais pro novo disco da banda de Yannis.
3. Fitzpleasure - Alt-J
Minha relação com Fitzpleasure é complicada. A letra da canção me incomoda profundamente, e eu realmente não queria, por muito tempo, gostar desse pedaço de música. Eles traduziram um pedaço de ficção extremamente violenta em uma música pop, e isso parecia mais incorreto do que por exemplo um filme com o mesmo tema. Dançar ao som de tais palavras é difícil. Incomoda. Percebi então que era uma besteira, o incômodo causado por Fitzpleasure faz parte da arte, a arte que te confronta, te perturba. E com uma linha de baixo e sintetizador como essa...
2. Gun-Shy - Grizzly Bear
Talvez essa seja a melhor música do ano, se eu selecionar ouvidos racionais ao invés de emocionais. Um pedaço de psicodelia tão bem trabalhada que faria o Tame Impala se envergonhar de seu lado exageradamente explícito e clichê. No universo do Grizzly Bear, tudo é sutil. É numas canções assim que meu instinto de nomear o grupo como "os herdeiros de Beatles e Beach Boys" aparece.
1. Bird of Sorrow - Glen Hansard
Mas eu prefiro ativar os ouvidos emocionais. Bird of sorrow é cruel, é uma canção que tortura o fã com tantas emoções diferentes em sua curta duração, é o coração de Glen Hansard não sendo aberto, e sim rasgado, devastado, na nossa frente, sem que a câmera desvie o olhar. Glen faz a catarse funcionar como poucos, e Bird of Sorrow não é só a melhor música do ano - é uma das canções mais tristes da história da música, pronta pra se unir ao hall de Leonard Cohens e Damien Rices.
24. We are young - fun.
Uma canção pop perfeita. Você só pode entender a capacidade de We are young de lavar a alma quando você escutá-la bem alto, cercado por amigos, e cantando o refrão como se fosse um mantra.
23. All too well - Taylor Swift
Ah, o preconceito com jovem Taylor. Adele faz o mesmo que ela, as letras confessionais sobre relacionamentos, e ganha palmas e um Grammy. Taylor ganha xingamentos na internet. Red é um bom álbum, por vezes longo demais, mas All too well é uma pérola. A mais sincera canção sobre término do ano, com uma letra springsteeniana. Não tem versão ao vivo, mas vá lá e escute!
22. The Wind - Zac Brown Band
Terminamos o corner country da minha lista aqui, com uma música boa pra pisotear o chão de madeira do celeiro. Um dia o mundo indie descobrirá a jam band de Zac Brown no meio de todos Mumfords e Avetts, e se surpreenderá.
21. Draw a Crowd - Ben Folds Five
Ele só queria ser Stevie Wonder. Mas eu não me lembro de Stevie Wonder gravando uma música tão impecavelmente hilária como Draw a Crowd. O melhor retorno de uma banda perdida há tempos em 2012, Ben Folds Five e uma música que pode te fazer rir até no pior dos dias.
20. Comeback Kid - Sleigh Bells
A música motivacional-auto-ajuda-quem-mexeu-no-meu-queijo de 2012 chega com uma guitarra que te acerta entre os olhos, no meio da testa, e a voz doce de Alexis Krauss.
19. Pyotr - Bad Books
"É sobre o czar Pedro o Grande que, quando descobriu que sua mulher estava o traindo, cortou a cabeça do amante e fez a mulher conviver com a cabeça. Escrevi a música sob o ponto de vista de Pyotr e da cabeça." Andy Hull sobre a canção. Acho que não preciso adiantar mais nada.
18. Elephant - Tame Impala
Tame Impala, uma banda cujos discos nunca me conquistam. Mas sempre há um single ali, perdido no conteúdo derivativo que une John Lennon, Syd Barrett e Black Sabbath, um single perfeito. Elephant é a nova Solitude is Bliss.
17. Teenage Icon - The Vaccines
Na hora de listar ícones adolescentes, Justin Young não fala de Justin Bieber ou One Direction. Fala de Frankie Avalon. Justin Young é sim um ícone adolescente, de uma adolescência que ainda escolhia o rock. E ainda escolhe.
16. Imergir - SILVA
A paz em forma de música. Imergir une eletrônico e analógico e SILVA tranquilizaria até o Hulk com sua voz sussurrada e comprimida digitalmente. Feche os olhos e vá.
15. Arise, Awake - Paul Banks
Se você vai mudar o tom do seu despertador em 2013, minha sugestão é essa música. O passo gélido de Paul Banks nunca esteve tão apurado, e Arise, Awake é um clássico instantâneo no nível de Evil, PDA e No I in Threesome.
14. Gangnam Style - Psy
Não sou uma boa dançarina. Sou nesse departamento de movimentos ritmo e coreografia, um desastre absoluto. Mas em 2012 uma música me fez tentar. Bastante. A euforia causada por Gangnam Style é sem precedentes. Maior canção pop do ano.
13. Off to the races - Lana del rey
Eu gostaria de filmar essa música, mesmo odiando Lana e seu universo de tédio e decadência. A história é contada de uma maneira extremamente envolvente e bem feita, e o ritmo que beira o rap faz as palavras se destacarem na voz tranquila da moça.
12. Bright Lanterns- The Tallest man on earth
Nunca alguém fez a palavra "Damn" ser tão poética. Mais uma sem versão ao vivo nas internetes. Uma pena, pois Kristian Matsson é brilhante ao vivo, com um violão na mão e uma voz impecável. Então escute aqui e parta na jornada.
11. It's only Life - The Shins
Nenhuma outra canção dessa lista teve um papel realmente pessoal, íntimo, na minha vida. Só It's only life, que eu ouvi em todos os piores momentos do ano e repeti com James Mercer suas palavras. Letra simples, melodia simples, mas alma complexa.
10. The house that heaven built - Japandroids
Em 2012, essa dupla trouxe a diversão de volta para o rock 'n' roll. A juventude, os bares ruins com turmas boas, e a postura despreocupada perto dos problemas do caminho. O terceiro maior hino de 2012.
9. Misery - The Gaslight Anthem
Esse B-side do single de Here comes your man não tem no Youtube nem mesmo em versão de estúdio. Também não tem no Grooveshark. Mas vale a audição em um ano que mesmo com um disco brilhante, Brian Fallon conseguiu deixar sua maior pérola de fora.
8. The Sad Facts - Cambriana
Essa mistura de Phoenix, Wilco e Grizzly Bear não parece nacional - mas é. A letra está entre as melhores que eu já vi, entre faixas em inglês, produzidas no Brasil. O instrumental consegue ser triste e dançante em igual medida, levando o ouvinte em um carrossel de emoções bem parecido com a vida.
7. In a big city - Titus Andronicus
Você não viveu 2012 se você não berrou essa canção uma única vez. Mas você pode tentar agora. Ainda não consigo lidar com o fato de que nenhuma lista de fim de ano mencionou essa pérola punk do Titus Andronicus, que entre referências a Shakespeare e palavrões, construiu sua melhor faixa até agora.
6. Heaven - The Walkmen
Tem tanta história, tanto coração e tanta lembrança encrustada na letra de Heaven e no jeito que Hamilton Leithauser a canta que eu acho difícil não me emocionar ao ouví-la. Quem já teve uma banda, uma família, ou um grupo fiel de amigos, uma missão e um objetivo, qualquer pessoa pode entender tudo aquilo que povoa essa canção.
5. Sing me a reprise - Hip Hatchet
O mundo da música sabe ser extremamente injusto. Quando você está inserida nele, mesmo que como uma simples blogueira, você tenta corrigir algumas dessas injustiças. Espera que alguém te escutará no meio de tanta informação, escutará seu conselho de "escute isso". Às vezes não adianta, e é frustrante. Mas vale mais uma tentativa, não é? A música mais sincera de 2012 está aqui, para aqueles que escutarem meu conselho.
4. Foals - Inhaler
Fazendo a dança "zumbi Thriller" parecer legal novamente, temos o Foals. Uma banda que não para de crescer nunca, e mostra agora mais uma face, uma face mais "funky". Um musicão que aponta para caminhos geniais pro novo disco da banda de Yannis.
3. Fitzpleasure - Alt-J
Minha relação com Fitzpleasure é complicada. A letra da canção me incomoda profundamente, e eu realmente não queria, por muito tempo, gostar desse pedaço de música. Eles traduziram um pedaço de ficção extremamente violenta em uma música pop, e isso parecia mais incorreto do que por exemplo um filme com o mesmo tema. Dançar ao som de tais palavras é difícil. Incomoda. Percebi então que era uma besteira, o incômodo causado por Fitzpleasure faz parte da arte, a arte que te confronta, te perturba. E com uma linha de baixo e sintetizador como essa...
2. Gun-Shy - Grizzly Bear
Talvez essa seja a melhor música do ano, se eu selecionar ouvidos racionais ao invés de emocionais. Um pedaço de psicodelia tão bem trabalhada que faria o Tame Impala se envergonhar de seu lado exageradamente explícito e clichê. No universo do Grizzly Bear, tudo é sutil. É numas canções assim que meu instinto de nomear o grupo como "os herdeiros de Beatles e Beach Boys" aparece.
1. Bird of Sorrow - Glen Hansard
Mas eu prefiro ativar os ouvidos emocionais. Bird of sorrow é cruel, é uma canção que tortura o fã com tantas emoções diferentes em sua curta duração, é o coração de Glen Hansard não sendo aberto, e sim rasgado, devastado, na nossa frente, sem que a câmera desvie o olhar. Glen faz a catarse funcionar como poucos, e Bird of Sorrow não é só a melhor música do ano - é uma das canções mais tristes da história da música, pronta pra se unir ao hall de Leonard Cohens e Damien Rices.
sábado, 1 de setembro de 2012
The egg has hatched.
Olá, leitores, olá, universo. Gostaria de anunciar oficialmente que esse site está dormente, por enquanto. Hibernando, quem sabe. Mas não fique chatiadíssimo. Quando eu me juntei à equipe do Rock 'n' Beats, desativei a parcela musical do Through The Frames e dediquei o blog a (quase) apenas cinema. Agora, finalmente, realizei o sonho de montar um site de cinema de verdade, o Ovo de Fantasma, com uma equipe talentosa e um visual lindo. Logo, o que restou para o Through The Frames... por enquanto, nada. Mas nunca se sabe.
Então, leitor, se você quiser acompanhar
Ovo de Fantasma
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Vida longa e próspera para vocês!
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domingo, 8 de julho de 2012
Shortcuts TTF #1
Mais uma etapa no Through The Frames, mais uma coluna sendo inaugurada. O blog tira a poeira da tesoura que corta a velha fita vermelha e abre mais um capítulo em sua história. Com o tempo, fui deixando de lado aquilo que eu mais gosto: as críticas. Para corrigir esse verdadeiro crime, sem ignorar a disponibilidade de tempo, que foi da duração de Berlin Alexanderplatz para a duração de um teaser trailer em minha vida, inauguro aqui a Shortcuts (uns podem pensar em atalhos, enquanto outros pensam em cortes rápidos e os mais fanáticos direcionarão suas memórias para as pequenas históriasde Altman).
A coluna funcionará assim: verei três filmes no cinema. Assim que os créditos finais do terceiro assistido rolarem pela tela, a Shortcuts entra em ação como o resumo dessa vida cinéfila. A estrutura é a mesma das críticas tradicionais do velho TTF, mas em versão mais curta, sucinta, resumida. Vamos começar então?
Para Roma com Amor (To Rome with Love/Woody Allen, 2012)
Nota: 6,5
Para ler escutando: Dean Martin - That's Amore
Para Roma com Amor começou sua trajetória como filme com um título muito mais apropriado, reverenciando um material classicamente italiano, episódico e previsível, o Decamerão. A referência no título pode até ter dado espaço a um nome genérico, que mais parece pertencer a uma comédia romântica de Garry Marshall lançada diretamente em DVD, mas o Decamerão ainda dá o tom em cada momento do novo filme de Woody Allen, mais um ponto baixo em sua carreira que mais parece um Eletrocardiograma saudável.
O filme baseia sua estrutura em quatro histórias-de-uma-piada-só que dariam certo como quadros em um excelente SNL, mas como a espinha dorsal de um filme falham miseravelmente, caindo no vórtex da repetição e da auto-caricatura que marca os piores filmes de Allen (e curiosamente, também marca os seus melhores). Roberto Benigni, uma escolha duvidosa de casting, ganha o único segmento com uma reflexão (mesmo que batida) sobre a fugacidade da fama dos reality shows, e não atrapalha o resultado. O segmento que acompanha o próprio Woody, Alison Pill (uma nova parceria coadjuvante de Woody, talvez sua nova Dianne Wiest?) e o cantor de ópera é interessante, mas não salva sozinho o resultado aloprado da película, enquanto os segmentos que acompanham o jovem casal italiano (com Alessandro Tiberi assustadoramente parecido com Robert De Niro em seus primeiros filmes) e o triângulo entre Mark Zuckerberg, ops, Jesse Eisenberg, Greta Gerwig e Ellen Page arrastando o desempenho da obra para o fundo como chumbo.
Depois de uma obra de sensbilidade ímpar como Meia-noite em Paris, Woody falhou no que faz de melhor: o roteiro, e escolheu a alta produtividade em detrimento da alta qualidade. Uma pena. Pelo menos, há o conforto da certeza de que o próximo será melhor, nessa carreira montanha-russa.
Sombras Da Noite (Dark Shadows/Tim Burton, 2012)
Nota: 6
Para ler escutando: Steve Miller Band (Fat Boy Slim version) - The Joker
O maior engano que alguém pode cometer enquanto analisa Sombras da Noite, nova parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, é pensar por um minuto que Tim e Johnny levam todas essas suas incursões à sério. E Sombras da Noite marca talvez o ponto menos sério de toda a filmografia da dupla, um aglomerado de piadas óbvias sobre os anos 70, bom elenco (porém usado precariamente) e um visual absolutamente Burtoniano. A cena que ignora as leis da gravidade entre Eva Green e Johnny Depp está entre um dos melhores momentos da estética de Burton como diretor.
Sombras da Noite viaja sobre a linha tênue entre o despretensioso e o apenas kitsch, e se sua primeira metade, apesar de clichê, cai na primeira categoria, seu final exagerado, centrado em uma reviravolta desnecessária (e mal conduzida por Burton), desanda a diversão leve de "Sessão da Tarde dos anos 90" e entra em território trash. Sombras da Noite não é um bom filme, e é mais uma prova de que nem tudo são flores na parceria Burton/Depp, cada vez mais caricata. Mas no dia certo, com pipoca nas mãos e ouvido atento para a melhor trilha sonora do primeiro semestre de 2012, é difícil resistir ao passeio setentista com os Excêntricos Collins.
O espetacular homem-aranha (The Amazing Spider-man/Marc Webb, 2012)
Nota: 8,5
Para ler escutando: The Killers - This River is Wild
Na parede do quarto de Peter Parker, um cartaz chama a atenção de qualquer cinéfilo. Marc Webb teve a sabedoria, e o senso afinado de colocar um pôster do clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Muitos acharão que isso apenas é um elemento de cena cool. Mas não. É algo que reafirma aquilo que está inscrito nos genes dos dois filmes: o conceito do cara normal colocado em uma situação extraordinária. Webb fez, em The Amazing Spider-Man, o que Sam Raimi falhou em três chances. Ele captou a essência de Peter Parker. O nerd que nunca deixa de ser um adolescente, John Hughesiano, com seus momentos de humor, com seus tropeços humanos, motivações humanas, e o herói que talvez, dentre todo o canon da Marvel e D.C., mais causa uma resposta emocional, uma torcida quase que maternal, paternal ou fraternal, no leitor/espectador.
Se uma biografia de uma banda ou músico deve seguir o compasso de seu estilo musical, acompanhar sua atmosfera como Control fez com Joy Division ou Sid & Nancy fez com o Sex Pistols, uma boa adaptação de HQs deve assimilar o espírito contido em cada quadro. É exatamente isso que Webb conseguiu, e mesmo com uma alteração na história (Lagarto assassinando Capt. Stacy), o diretor fez um filme que faz jus ao título de espetacular, arrancando lágrimas de qualquer um em seu final, e terminando com uma cena que ilude os menos informados que vêem uma porta sendo aberta para o romance, enquanto os fãs percebem ali os primeiros fios (ou teias) que abrem a porta para uma sequel trágica.
A coluna funcionará assim: verei três filmes no cinema. Assim que os créditos finais do terceiro assistido rolarem pela tela, a Shortcuts entra em ação como o resumo dessa vida cinéfila. A estrutura é a mesma das críticas tradicionais do velho TTF, mas em versão mais curta, sucinta, resumida. Vamos começar então?
Para Roma com Amor (To Rome with Love/Woody Allen, 2012)
Nota: 6,5
Para ler escutando: Dean Martin - That's Amore
Para Roma com Amor começou sua trajetória como filme com um título muito mais apropriado, reverenciando um material classicamente italiano, episódico e previsível, o Decamerão. A referência no título pode até ter dado espaço a um nome genérico, que mais parece pertencer a uma comédia romântica de Garry Marshall lançada diretamente em DVD, mas o Decamerão ainda dá o tom em cada momento do novo filme de Woody Allen, mais um ponto baixo em sua carreira que mais parece um Eletrocardiograma saudável.
O filme baseia sua estrutura em quatro histórias-de-uma-piada-só que dariam certo como quadros em um excelente SNL, mas como a espinha dorsal de um filme falham miseravelmente, caindo no vórtex da repetição e da auto-caricatura que marca os piores filmes de Allen (e curiosamente, também marca os seus melhores). Roberto Benigni, uma escolha duvidosa de casting, ganha o único segmento com uma reflexão (mesmo que batida) sobre a fugacidade da fama dos reality shows, e não atrapalha o resultado. O segmento que acompanha o próprio Woody, Alison Pill (uma nova parceria coadjuvante de Woody, talvez sua nova Dianne Wiest?) e o cantor de ópera é interessante, mas não salva sozinho o resultado aloprado da película, enquanto os segmentos que acompanham o jovem casal italiano (com Alessandro Tiberi assustadoramente parecido com Robert De Niro em seus primeiros filmes) e o triângulo entre Mark Zuckerberg, ops, Jesse Eisenberg, Greta Gerwig e Ellen Page arrastando o desempenho da obra para o fundo como chumbo.
Depois de uma obra de sensbilidade ímpar como Meia-noite em Paris, Woody falhou no que faz de melhor: o roteiro, e escolheu a alta produtividade em detrimento da alta qualidade. Uma pena. Pelo menos, há o conforto da certeza de que o próximo será melhor, nessa carreira montanha-russa.
Sombras Da Noite (Dark Shadows/Tim Burton, 2012)Nota: 6
Para ler escutando: Steve Miller Band (Fat Boy Slim version) - The Joker
O maior engano que alguém pode cometer enquanto analisa Sombras da Noite, nova parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, é pensar por um minuto que Tim e Johnny levam todas essas suas incursões à sério. E Sombras da Noite marca talvez o ponto menos sério de toda a filmografia da dupla, um aglomerado de piadas óbvias sobre os anos 70, bom elenco (porém usado precariamente) e um visual absolutamente Burtoniano. A cena que ignora as leis da gravidade entre Eva Green e Johnny Depp está entre um dos melhores momentos da estética de Burton como diretor.
Sombras da Noite viaja sobre a linha tênue entre o despretensioso e o apenas kitsch, e se sua primeira metade, apesar de clichê, cai na primeira categoria, seu final exagerado, centrado em uma reviravolta desnecessária (e mal conduzida por Burton), desanda a diversão leve de "Sessão da Tarde dos anos 90" e entra em território trash. Sombras da Noite não é um bom filme, e é mais uma prova de que nem tudo são flores na parceria Burton/Depp, cada vez mais caricata. Mas no dia certo, com pipoca nas mãos e ouvido atento para a melhor trilha sonora do primeiro semestre de 2012, é difícil resistir ao passeio setentista com os Excêntricos Collins.
O espetacular homem-aranha (The Amazing Spider-man/Marc Webb, 2012)
Nota: 8,5
Para ler escutando: The Killers - This River is Wild
Na parede do quarto de Peter Parker, um cartaz chama a atenção de qualquer cinéfilo. Marc Webb teve a sabedoria, e o senso afinado de colocar um pôster do clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Muitos acharão que isso apenas é um elemento de cena cool. Mas não. É algo que reafirma aquilo que está inscrito nos genes dos dois filmes: o conceito do cara normal colocado em uma situação extraordinária. Webb fez, em The Amazing Spider-Man, o que Sam Raimi falhou em três chances. Ele captou a essência de Peter Parker. O nerd que nunca deixa de ser um adolescente, John Hughesiano, com seus momentos de humor, com seus tropeços humanos, motivações humanas, e o herói que talvez, dentre todo o canon da Marvel e D.C., mais causa uma resposta emocional, uma torcida quase que maternal, paternal ou fraternal, no leitor/espectador.
Se uma biografia de uma banda ou músico deve seguir o compasso de seu estilo musical, acompanhar sua atmosfera como Control fez com Joy Division ou Sid & Nancy fez com o Sex Pistols, uma boa adaptação de HQs deve assimilar o espírito contido em cada quadro. É exatamente isso que Webb conseguiu, e mesmo com uma alteração na história (Lagarto assassinando Capt. Stacy), o diretor fez um filme que faz jus ao título de espetacular, arrancando lágrimas de qualquer um em seu final, e terminando com uma cena que ilude os menos informados que vêem uma porta sendo aberta para o romance, enquanto os fãs percebem ali os primeiros fios (ou teias) que abrem a porta para uma sequel trágica.
domingo, 1 de julho de 2012
Antologia TTF #4 - Shows
A parte mais importante da formação musical de um indivíduo está nas pistas nas quais ele já pisou. O palco é o lugar no qual você é surpreendido, encantado. É uma atividade de conhecimento, no qual você tem epifanias de vida, muda sua percepção em relação à música, reflete sobre sua vida inteira, deixa o peso do passado no chão. É uma experiência social, que transforma conhecidos em amigos, amigos em seres que compartilharam com você momentos inesquecíveis.
Decidi dividir o quarto capítulo da Antologia TTF em duas listas, a dos melhores shows que vi, e a dos shows que mais sonho em um dia ver. Também fiz dessa a primeira lista que ganha uma ordem de preferência, um ranking, da série.
Já aviso que uma das experiências musicais mais fantásticas que eu já presenciei, Lee Ranaldo e Leah Singer ao vivo, não é bem um show, então, não entrou na lista.
Infelizmente, minha lista de shows sonhados ainda é maior que a de sonhos realizados. Mas aos poucos, estou montando minhas lembranças. Aí vai o Antologia TTF mais pessoal da série até agora. E finalmente com o problema dos pesos dos vídeos na estrutura frágil do Blogger resolvido. Para conferir todas as listas da série, é só apertar "mais informações" em cada post.
Decidi dividir o quarto capítulo da Antologia TTF em duas listas, a dos melhores shows que vi, e a dos shows que mais sonho em um dia ver. Também fiz dessa a primeira lista que ganha uma ordem de preferência, um ranking, da série.
Já aviso que uma das experiências musicais mais fantásticas que eu já presenciei, Lee Ranaldo e Leah Singer ao vivo, não é bem um show, então, não entrou na lista.
Infelizmente, minha lista de shows sonhados ainda é maior que a de sonhos realizados. Mas aos poucos, estou montando minhas lembranças. Aí vai o Antologia TTF mais pessoal da série até agora. E finalmente com o problema dos pesos dos vídeos na estrutura frágil do Blogger resolvido. Para conferir todas as listas da série, é só apertar "mais informações" em cada post.
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