sábado, 12 de janeiro de 2013

TTF Awards 2012: melhores músicas do ano

Depois do longo processo de transformar as listas do Rock 'n' Beats e do Ovo de Fantasma em realidade, ainda devo pegar fôlego e partir para uma última lista... a minha. Vou elencar aqui no TTF os meus favoritos do ano de maneira bem simples e breve, mas de coração. E com aquele velho formato: colocando apenas vídeos ao vivo dessas músicas espetaculares.


24. We are young - fun.

Uma canção pop perfeita. Você só pode entender a capacidade de We are young de lavar a alma quando você escutá-la bem alto, cercado por amigos, e cantando o refrão como se fosse um mantra.

23. All too well - Taylor Swift
Ah, o preconceito com jovem Taylor. Adele faz o mesmo que ela, as letras confessionais sobre relacionamentos, e ganha palmas e um Grammy. Taylor ganha xingamentos na internet. Red é um bom álbum, por vezes longo demais, mas All too well é uma pérola. A mais sincera canção sobre término do ano, com uma letra springsteeniana. Não tem versão ao vivo, mas vá lá e escute!



22. The Wind - Zac Brown Band
Terminamos o corner country da minha lista aqui, com uma música boa pra pisotear o chão de madeira do celeiro. Um dia o mundo indie descobrirá a jam band de Zac Brown no meio de todos Mumfords e Avetts, e se surpreenderá.




21. Draw a Crowd - Ben Folds Five
Ele só queria ser Stevie Wonder. Mas eu não me lembro de Stevie Wonder gravando uma música tão impecavelmente hilária como Draw a Crowd. O melhor retorno de uma banda perdida há tempos em 2012, Ben Folds Five e uma música que pode te fazer rir até no pior dos dias.



20. Comeback Kid - Sleigh Bells
A música motivacional-auto-ajuda-quem-mexeu-no-meu-queijo de 2012 chega com uma guitarra que te acerta entre os olhos, no meio da testa, e a voz doce de Alexis Krauss.



19. Pyotr - Bad Books
"É sobre o czar Pedro o Grande que, quando descobriu que sua mulher estava o traindo, cortou a cabeça do amante e fez a mulher conviver com a cabeça. Escrevi a música sob o ponto de vista de Pyotr e da cabeça." Andy Hull sobre a canção. Acho que não preciso adiantar mais nada.




18. Elephant - Tame Impala

Tame Impala, uma banda cujos discos nunca me conquistam. Mas sempre há um single ali, perdido no conteúdo derivativo que une John Lennon, Syd Barrett e Black Sabbath, um single perfeito. Elephant é a nova Solitude is Bliss.




17. Teenage Icon - The Vaccines
Na hora de listar ícones adolescentes, Justin Young não fala de Justin Bieber ou One Direction. Fala de Frankie Avalon. Justin Young é sim um ícone adolescente, de uma adolescência que ainda escolhia o rock. E ainda escolhe.






16. Imergir - SILVA
A paz em forma de música. Imergir une eletrônico e analógico e SILVA tranquilizaria até o Hulk com sua voz sussurrada e comprimida digitalmente. Feche os olhos e vá.




15. Arise, Awake - Paul Banks
Se você vai mudar o tom do seu despertador em 2013, minha sugestão é essa música. O passo gélido de Paul Banks nunca esteve tão apurado, e Arise, Awake é um clássico instantâneo no nível de Evil, PDA e No I in Threesome.




14. Gangnam Style - Psy
Não sou uma boa dançarina. Sou nesse departamento de movimentos ritmo e coreografia, um desastre absoluto. Mas em 2012 uma música me fez tentar. Bastante. A euforia causada por Gangnam Style é sem precedentes. Maior canção pop do ano.




13. Off to the races - Lana del rey
Eu gostaria de filmar essa música, mesmo odiando Lana e seu universo de tédio e decadência. A história é contada de uma maneira extremamente envolvente e bem feita, e o ritmo que beira o rap faz as palavras se destacarem na voz tranquila da moça.

12. Bright Lanterns- The Tallest man on earth

Nunca alguém fez a palavra "Damn" ser tão poética. Mais uma sem versão ao vivo nas internetes. Uma pena, pois Kristian Matsson é brilhante ao vivo, com um violão na mão e uma voz impecável. Então escute aqui e parta na jornada.




11. It's only Life - The Shins

Nenhuma outra canção dessa lista teve um papel realmente pessoal, íntimo, na minha vida. Só It's only life, que eu ouvi em todos os piores momentos do ano e repeti com James Mercer suas palavras. Letra simples, melodia simples, mas alma complexa.




10. The house that heaven built - Japandroids
Em 2012, essa dupla trouxe a diversão de volta para o rock 'n' roll. A juventude, os bares ruins com turmas boas, e a postura despreocupada perto dos problemas do caminho. O terceiro maior hino de 2012.


9. Misery - The Gaslight Anthem
Esse B-side do single de Here comes your man não tem no Youtube nem mesmo em versão de estúdio. Também não tem no Grooveshark. Mas vale a audição em um ano que mesmo com um disco brilhante, Brian Fallon conseguiu deixar sua maior pérola de fora.








8. The Sad Facts - Cambriana

Essa mistura de Phoenix, Wilco e Grizzly Bear não parece nacional - mas é. A letra está entre as melhores que eu já vi, entre faixas em inglês, produzidas no Brasil. O instrumental consegue ser triste e dançante em igual medida, levando o ouvinte em um carrossel de emoções bem parecido com a vida.



7. In a big city - Titus Andronicus



Você não viveu 2012 se você não berrou essa canção uma única vez. Mas você pode tentar agora. Ainda não consigo lidar com o fato de que nenhuma lista de fim de ano mencionou essa pérola punk do Titus Andronicus, que entre referências a Shakespeare e palavrões, construiu sua melhor faixa até agora.




6. Heaven - The Walkmen


Tem tanta história, tanto coração e tanta lembrança encrustada na letra de Heaven e no jeito que Hamilton Leithauser a canta que eu acho difícil não me emocionar ao ouví-la. Quem já teve uma banda, uma família, ou um grupo fiel de amigos, uma missão e um objetivo, qualquer pessoa pode entender tudo aquilo que povoa essa canção.


5. Sing me a reprise - Hip Hatchet

 O mundo da música sabe ser extremamente injusto. Quando você está inserida nele, mesmo que como uma simples blogueira, você tenta corrigir algumas dessas injustiças. Espera que alguém te escutará no meio de tanta informação, escutará seu conselho de "escute isso". Às vezes não adianta, e é frustrante. Mas vale mais uma tentativa, não é? A música mais sincera de 2012 está aqui, para aqueles que escutarem meu conselho.




4. Foals - Inhaler
Fazendo a dança "zumbi Thriller" parecer legal novamente, temos o Foals. Uma banda que não para de crescer nunca, e mostra agora mais uma face, uma face mais "funky". Um musicão que aponta para caminhos geniais pro novo disco da banda de Yannis.



3. Fitzpleasure - Alt-J

Minha relação com Fitzpleasure é complicada. A letra da canção me incomoda profundamente, e eu realmente não queria, por muito tempo, gostar desse pedaço de música. Eles traduziram um pedaço de ficção extremamente violenta em uma música pop, e isso parecia mais incorreto do que por exemplo um filme com o mesmo tema. Dançar ao som de tais palavras é difícil. Incomoda. Percebi então que era uma besteira, o incômodo causado por Fitzpleasure faz parte da arte, a arte que te confronta, te perturba. E com uma linha de baixo e sintetizador como essa...




2. Gun-Shy - Grizzly Bear

Talvez essa seja a melhor música do ano, se eu selecionar ouvidos racionais ao invés de emocionais. Um pedaço de psicodelia tão bem trabalhada que faria o Tame Impala se envergonhar de seu lado exageradamente explícito e clichê. No universo do Grizzly Bear, tudo é sutil. É numas canções assim que meu instinto de nomear o grupo como "os herdeiros de Beatles e Beach Boys" aparece.






1. Bird of Sorrow - Glen Hansard


Mas eu prefiro ativar os ouvidos emocionais. Bird of sorrow é cruel, é uma canção que tortura o fã com tantas emoções diferentes em sua curta duração, é o coração de Glen Hansard não sendo aberto, e sim rasgado, devastado, na nossa frente, sem que a câmera desvie o olhar. Glen faz a catarse funcionar como poucos, e Bird of Sorrow não é só a melhor música do ano - é uma das canções mais tristes da história da música, pronta pra se unir ao hall de Leonard Cohens e Damien Rices.












sábado, 1 de setembro de 2012

The egg has hatched.

Olá, leitores, olá, universo. Gostaria de anunciar oficialmente que esse site está dormente, por enquanto. Hibernando, quem sabe. Mas não fique chatiadíssimo. Quando eu me juntei à equipe do Rock 'n' Beats, desativei a parcela musical do Through The Frames e dediquei o blog a (quase) apenas cinema. Agora, finalmente, realizei o sonho de montar um site de cinema de verdade, o Ovo de Fantasma, com uma equipe talentosa e um visual lindo. Logo, o que restou para o Through The Frames... por enquanto, nada. Mas nunca se sabe.

Então, leitor, se você quiser acompanhar

Ovo de Fantasma
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Rock 'n' Beats
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Vida longa e próspera para vocês!

domingo, 8 de julho de 2012

Shortcuts TTF #1

Mais uma etapa no Through The Frames, mais uma coluna sendo inaugurada. O blog tira a poeira da tesoura que corta a velha fita vermelha e abre mais um capítulo em sua história. Com o tempo, fui deixando de lado aquilo que eu mais gosto: as críticas. Para corrigir esse verdadeiro crime, sem ignorar a disponibilidade de tempo, que foi da duração de Berlin Alexanderplatz para a duração de um teaser trailer em minha vida, inauguro aqui a Shortcuts (uns podem pensar em atalhos, enquanto outros pensam em cortes rápidos e os mais fanáticos direcionarão suas memórias para as pequenas históriasde Altman).

A coluna funcionará assim: verei três filmes no cinema. Assim que os créditos finais do terceiro assistido rolarem pela tela, a Shortcuts entra em ação como o resumo dessa vida cinéfila. A estrutura é a mesma das críticas tradicionais do velho TTF, mas em versão mais curta, sucinta, resumida. Vamos começar então?



Para Roma com Amor (To Rome with Love/Woody Allen, 2012)

Nota: 6,5
Para ler escutando: Dean Martin - That's Amore

Para Roma com Amor começou sua trajetória como filme com um título muito mais apropriado, reverenciando um material classicamente italiano, episódico e previsível, o Decamerão. A referência no título pode até ter dado espaço a um nome genérico, que mais parece pertencer a uma comédia romântica de Garry Marshall lançada diretamente em DVD, mas o Decamerão ainda dá o tom em cada momento do novo filme de Woody Allen, mais um ponto baixo em sua carreira que mais parece um Eletrocardiograma saudável.

O filme baseia sua estrutura em quatro histórias-de-uma-piada-só que dariam certo como quadros em um excelente SNL, mas como a espinha dorsal de um filme falham miseravelmente, caindo no vórtex da repetição e da auto-caricatura que marca os piores filmes de Allen (e curiosamente, também marca os seus melhores). Roberto Benigni, uma escolha duvidosa de casting, ganha o único segmento com uma reflexão (mesmo que batida) sobre a fugacidade da fama dos reality shows, e não atrapalha o resultado. O segmento que acompanha o próprio Woody, Alison Pill (uma nova parceria coadjuvante de Woody, talvez sua nova Dianne Wiest?) e o cantor de ópera é interessante, mas não salva sozinho o resultado aloprado da película, enquanto os segmentos que acompanham o jovem casal italiano (com Alessandro Tiberi assustadoramente parecido com Robert De Niro em seus primeiros filmes) e o triângulo entre Mark Zuckerberg, ops, Jesse Eisenberg, Greta Gerwig e Ellen Page arrastando o desempenho da obra para o fundo como chumbo.

Depois de uma obra de sensbilidade ímpar como Meia-noite em Paris, Woody falhou no que faz de melhor: o roteiro, e escolheu a alta produtividade em detrimento da alta qualidade. Uma pena. Pelo menos, há o conforto da certeza de que o próximo será melhor, nessa carreira montanha-russa.



Sombras Da Noite (Dark Shadows/Tim Burton, 2012)

Nota: 6
Para ler escutando: Steve Miller Band (Fat Boy Slim version) - The Joker

O maior engano que alguém pode cometer enquanto analisa Sombras da Noite, nova parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, é pensar por um minuto que Tim e Johnny levam todas essas suas incursões à sério. E Sombras da Noite marca talvez o ponto menos sério de toda a filmografia da dupla, um aglomerado de piadas óbvias sobre os anos 70, bom elenco (porém usado precariamente) e um visual absolutamente Burtoniano. A cena que ignora as leis da gravidade entre Eva Green e Johnny Depp está entre um dos melhores momentos da estética de Burton como diretor.

Sombras da Noite viaja sobre a linha tênue entre o despretensioso e o apenas kitsch, e se sua primeira metade, apesar de clichê, cai na primeira categoria, seu final exagerado, centrado em uma reviravolta desnecessária (e mal conduzida por Burton), desanda a diversão leve de "Sessão da Tarde dos anos 90" e entra em território trash. Sombras da Noite não é um bom filme, e é mais uma prova de que nem tudo são flores na parceria Burton/Depp, cada vez mais caricata. Mas no dia certo, com pipoca nas mãos e ouvido atento para a melhor trilha sonora do primeiro semestre de 2012, é difícil resistir ao passeio setentista com os Excêntricos Collins.


O espetacular homem-aranha (The Amazing Spider-man/Marc Webb, 2012)

Nota: 8,5
Para ler escutando: The Killers - This River is Wild

Na parede do quarto de Peter Parker, um cartaz chama a atenção de qualquer cinéfilo. Marc Webb teve a sabedoria, e o senso afinado de colocar um pôster do clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Muitos acharão que isso apenas é um elemento de cena cool. Mas não. É algo que reafirma aquilo que está inscrito nos genes dos dois filmes: o conceito do cara normal colocado em uma situação extraordinária. Webb fez, em The Amazing Spider-Man, o que Sam Raimi falhou em três chances. Ele captou a essência de Peter Parker. O nerd que nunca deixa de ser um adolescente, John Hughesiano, com seus momentos de humor, com seus tropeços humanos, motivações humanas, e o herói que talvez, dentre todo o canon da Marvel e D.C., mais causa uma resposta emocional, uma torcida quase que maternal, paternal ou fraternal, no leitor/espectador.

Se uma biografia de uma banda ou músico deve seguir o compasso de seu estilo musical, acompanhar sua atmosfera como Control fez com Joy Division ou Sid & Nancy fez com o Sex Pistols, uma boa adaptação de HQs deve assimilar o espírito contido em cada quadro. É exatamente isso que Webb conseguiu, e mesmo com uma alteração na história (Lagarto assassinando Capt. Stacy), o diretor fez um filme que faz jus ao título de espetacular, arrancando lágrimas de qualquer um em seu final, e terminando com uma cena que ilude os menos informados que vêem uma porta sendo aberta para o romance, enquanto os fãs percebem ali os primeiros fios (ou teias) que abrem a porta para uma sequel trágica.

domingo, 1 de julho de 2012

Antologia TTF #4 - Shows

A parte mais importante da formação musical de um indivíduo está nas pistas nas quais ele já pisou. O palco é o lugar no qual você é surpreendido, encantado. É uma atividade de conhecimento, no qual você tem epifanias de vida, muda sua percepção em relação à música, reflete sobre sua vida inteira, deixa o peso do passado no chão. É uma experiência social, que transforma conhecidos em amigos, amigos em seres que compartilharam com você momentos inesquecíveis.

Decidi dividir o quarto capítulo da Antologia TTF em duas listas, a dos melhores shows que vi, e a dos shows que mais sonho em um dia ver. Também fiz dessa a primeira lista que ganha uma ordem de preferência, um ranking, da série.

Já aviso que uma das experiências musicais mais fantásticas que eu já presenciei, Lee Ranaldo e Leah Singer ao vivo, não é bem um show, então, não entrou na lista.

Infelizmente, minha lista de shows sonhados ainda é maior que a de sonhos realizados. Mas aos poucos, estou montando minhas lembranças. Aí vai o Antologia TTF mais pessoal da série até agora. E finalmente com o problema dos pesos dos vídeos na estrutura frágil do Blogger resolvido. Para conferir todas as listas da série, é só apertar "mais informações" em cada post.

domingo, 24 de junho de 2012

Antologia TTF #3 - Séries de TV

Vários profetas da cultura já afirmaram que a TV um dia substituiria o cinema, inclusive Michelangelo Antonioni. Isso não acontecerá, da mesma maneira que os blogs nunca substituirão a mídia impressa, ou MP3 nunca substituirá cds e vinis. Mas a TV está ganhando, especialmente sob os ombros de empresas como a HBO, AMC e Showtime, que desfrutam de amplo orçamento e liberdade criativa, uma grandiosidade técnica e emotiva incrível.

Na minha lista não enumerei séries ou personagens, aceitei o desafio de enumerar episódios favoritos da história da TV. Dessa maneira, deixei de lado algumas de minhas séries favoritas do passado, como Frasier, Simpsons, Mad about you ou Wonder Years, por serem uniformes demais e elegi episódios que se destacam do bando, impressionam como obras de arte isoladas e dignas de tela grande e pipoca. Previously, on Antologia TTF...

domingo, 17 de junho de 2012

Antologia TTF #2 - Momentos do cinema

Um bom cinéfilo nasce cinéfilo? Talvez. Talvez exista uma sensibilidade que antecede até mesmo o primeiro filme que assistimos na vida, uma mania de ver o mundo através de cenas, de enquadrar e registrar com os olhos e com memórias a poesia do cotidiano. Mas pode perguntar para qualquer cinéfilo - todos nós possuimos aquela lista de momentos os quais creditamos toda a culpa (na verdade, a honra) de nos transformar em apaixonados pela sétima arte.

Mais do que nunca me sinto na obrigação de repetir: a Antologia TTF não é um post que escolhe as melhores, mais bem dirigidas ou mais importantes, é um post em que revelo meus favoritos pessoais, cenas que são recorrentes na minha mente. Isso me faz deixar muitos mestres da técnica de fora da lista, então, me perdoem Scorsese, Antonioni, Resnais ou Hitchcock.

domingo, 10 de junho de 2012

Antologia TTF #1 - Letras de músicas

Existe uma diferença básica entre o crítico e o fã, seja na música, no cinema, em qualquer meio artístico de sua escolha. O crítico que você lê diariamente é forçado a ser imparcial e acima de tudo, não-comparativo. O crítico não analisa um filme em comparação com outro que ele viu no mesmo mês, não deve condenar uma banda pois ela não fez outro álbum exatamente igual ao seu favorito. O crítico que você lê diariamente, você só o conhece a partir da opinião dele sobre um caso particular de arte, você não pode saber pelos seus textos se ele prefere terror ou comédias românticas, synth-pop ou grunge.

Um fã é subjetividade pura. Nos próximos meses, dedicarei os domingos do Through The Frames para um exercício interessante (e que, ao começar, não esperava que fosse tão desafiador). Tranco por um dia a crítica em um espaço na minha alma e deixo a fã digitar. Aqui não serão eleitos os melhores - serão expostos os meus favoritos. Começamos com um tipo de lista que todo fã de música tem em seu cérebro, guardada em alguma gaveta mental. 21 versos de músicas que me fazem retornar ao início de alguma música apenas para ouvir aquelas palavras novamente.